quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

DIGITAL DETOX

Ultimamente tenho pensado imenso no papel que a tecnologia desempenha na minha vida, mais especificamente, o telemóvel e o computador.
Às vezes dou por mim a falar com a minha mãe e não estou a ouvir metade daquilo que ela diz porque estou concentrada num ecrã que brilha e me cativa de forma tão traiçoeira. A maioria das vezes nem estou a fazer nada de mais, apenas a verificar o twitter ou o instagram, mas essa é a pior parte: já se tornou um vicio desbloquear o telemóvel e ir para estas aplicações. Consigo certamente fazê-lo de olhos fechados e faço-o já inconscientemente.
Isto assusta-me; saber que estou tão dependente de um aparelho electrónico do tamanho da minha mão e ver o poder que ele tem sobre mim é petrificante.

Já andava com a ideia de deixar o telemóvel em casa há algum tempo mas depois de ter este pensamento disse: "não, tem de ser já". Aliei a minha ideia ao facto de ter tido fraca nota num teste e pedi ao meu pai que guardasse o meu telemóvel no cofre durante 3 dias. 3 dias sem lhe poder tocar, nem mesmo em emergências.
No inicio pensei: "ok, 3 dias é pouca coisa, além disso andamos na época de testes por isso até vou andar mais concentrada". As conclusões que tirei desta experiência foram deveras interessantes:
No íncio parecia que me faltava qualquer coisa, naqueles momentos "mortos" que por vezes não passavam de uns minutos, sentia que não tinha nada para ocupar a mente e as mãos. Mas essa sensação evaporou se facilmente e apercebi me de que o tempo que perdia a olhar para o telemóvel estava a ser desperdiçado. Comecei a absorver muito mais aquilo que me rodeava e  a estar presente no momento, precisamente quando ele acontecia. Não ia ver uma foto postada no instagram 3 minutos depois daquela arvore com uma descrição muito bonita e um filtro todo elaborado a acompanhar. Não. Eu estava naquele preciso momento, com os meus proprios olhos a observá-la. E adorei essa sensação.
A única coisa que me fez mesmo falta foi o facto de não conseguir contactar ninguém instantaneamente (é uma sensção horrivel, parece que estas rodeada de facilidades e de repente não podes ligar à tua mãe a avisar que vais chegar tarde a casa ou perguntar a uma amiga tua onde está) e não poder verificar as horas. De resto acho que com o hábito me iria dar bastante bem sem telemóvel.


Gostei tanto da experiência que tenciono repeti-la mais vezes e, se isso for um pouco incómodo, vou pelo menos controlar me para não estar constantemente vidrada naqueles ecrãs.....Acho que a vida é para ser vivida e não para ser vista na conta de outra pessoa!
Já tiveram uma experiência parecida? Contem me a vossa opinião :)
© Uma colher de arroz
Maira Gall