domingo, 30 de agosto de 2015

SENTEI ME ACIDENTALMENTE AO PÉ DE UMA CRITICA CULINÁRIA?!?

Depois do meu treino de volley e porque eu e a minha mãe estávamos sozinhas em casa, decidimos ir comer fora. Calhou me a mim a tarefa de escolher um restaurante e decidi que nessa noite iríamos a uma espécie de taberna rústica comer picanha. Porque? Porque me estava mesmo a apetecer o raio da picanha e aquele é um dos melhores restaurantes na cidade.
Quando chegamos a sala estava quase cheia e o empregado disse nos para esperarmos um bocado enquanto ele tentava arranjar mesa. Lá estávamos nós de pé, à espera da nossa mesa quando uma senhora, sentada numa mesa de  4, nos chama e diz que nos podemos sentar ali porque, e nas palavras dela, "eu já estou mesmo a acabar de comer e, sabem, eu já tive um restaurante e ver pessoas de pé à espera causa muito má impressão". Nós agradecemos a disponibilidade e sentamo-nos a contar que ela se levantasse em 5 minutos e, desculpem a expressão, se pusesse a andar. Ela meteu logo conversa; era simpática, interessante e, aparentemente, uma crítica de restaurantes que estava ali para aprovar (ou não) aquela taberna para a rota turística da região. Quase imediatamente começou a enumerar todos os problemas daquele restaurante: alguns empregados eram mal educados, as mesas não eram apropriadas, o serviço demorava muito. Mas mesmo assim, dizia ela, que a comida era divinal e a decoração encaixava perfeitamente no contexto. 
Ao contrário do que tinha dito inicialmente, ela ficou connosco quase duas horas à conversa e, apesar  de não estar nos meus planos, até que foi interessante estar com uma pessoa com uma profissão e vivências tão diferentes daquelas a que estou habituada. 
Depois de termos acabado o jantar, eu e a minha mãe fomos pagar e a senhora disse nos que ia lá fora fumar pois já estava a ficar pelos cabelos com os empregados daquela taberna que já a tinha desrespeitado inúmeras vezes. 
Estávamos nós a pagar quando o empregado (este era simpático) nos pergunta se sabemos onde está a senhora que estava sentada ao nosso lado. Eu respondo que ela tinha ido lá para fora fumar e ele apressasse a verificar. A minha mãe segue-o e quando chegam lá fora nem sinal da critica. O empregado vira se para nós e diz "ah aquela croma a chatear nos a noite inteira e ainda por cima sai sem pagar!".
At this point, eu parto me a rir, das duas um: ou a mulher tinha grande esquema montado e aquela cena toda foi para comer uma refeição à borla ou então fartou se dos empregados e pôs se a andar.
De qualquer das maneiras, uma coisa é certa: aquela taberna não vai entrar de certeza no tão desejado roteiro e agora vou pensar duas vezes antes de voltar lá.


© Uma colher de arroz
Maira Gall