quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Tens medo de seguir os teus sonhos?

O que te faz feliz?  E mais importante, porque que é que não fazes o que te faz feliz?
É algo que mexe comigo, porque a maioria das pessoas não faz o que as deixa realmente felizes. E porquê? Existe um leque de desculpas intermináveis, mas a maior parte delas não passam disso, de desculpas, motivos que damos a nós próprios para enganar o desejo de perseguir qualquer coisa.

No meu caso era a dança: quando era pequena nunca pensei que gostasse de dançar, porque a) não tinha jeitinho nenhum e b) achava que era demasiado tímida para tentar. Por isso os anos passaram, e nunca em milhões de ideas me passou pela cabeça que um dia quisesse tanto experimentar. Mas há dois anos para cá, quando deixei o karaté porque achei que não era propriamente algo que me deixava feliz, inclinei-me sobre o assunto e ponderei "será que vou gostar de dançar?". Mas as dúvidas eram muitas; em primeiro lugar a escola de dança  na qual gostaria de entrar já tinha a turma formada à já bastante tempo e isso trazia logo dois problemas: o primeiro era que já eram todos amigos e, conhecendo-me como me conheço, seria muito difícil de me adaptar e em segundo, elas teriam imensa experiência, enquanto eu seria uma completa novata naquilo. Mas não me ficava por aqui: tinha também dúvidas quanto ao meu potencial e que provavelmente ia fazer figuras tristes, o que não valia a pena o risco; havia também a questão do tempo.
Resumindo e concluindo, eu, uma pessoa que toda a vida teve imensas "atividades extra curriculares", deixou esse privilégio no 10ºano. No inicio foi bom porque tinha muito mais tempo e não precisava de sair de casa às 7 da noite com um frio de rachar. Mas depois comecei a ficar aborrecida, triste por não pertencer a nada, desiludida por não estar a desafiar-me a mim própria e por só estar a investir o meu tempo nos estudos (o que é importante claro, mas acho que devemos conciliar tudo).

Este ano foi diferente: já estava farta de não fazer nada de novo, por isso disse para mim própria "Este ano vais te inscrever na dança, vais seguir aquilo que tens mais próximo de um sonho." No inicio foi difícil, toda a gente na minha turma era muito mais nova que eu (dois anos ou mais), o que fazia o tema de conversa mais difícil de surgir para além das inevitáveis comparações em relação à maturidade. Não conseguia apanhar as coreografias logo à primeira, aliás demorava imenso tempo só para aprender uma dúzia de passos. Eu, que tenho uma obsessão com fazer tudo bem logo à primeira e sem paciência para estar sempre a tentar. Pensei mesmo em desistir e esquecer aquilo por completo, porque não tinha sido feita para dançar. Ao menos tinha tentado, certo?
Mas continuei e devido à época natalícia tivemos de organizar um jantar onde apresentamos uma coreografia contemporânea da musica "A thousand years".  Nunca pensei que gostasse tanto de contemporâneo porque achei que era um estilo demasiado melodramático para mim. Como estava enganada. Adorei, os passos saíram fluidos, nem se quer tive de pensar no que estava a fazer, e dancei bem, mas mais importante que tudo, estava feliz a dançar. Lembro-me que durante a atuação não parava de me rir e eu estou sempre super séria em todas as "demonstrações publicas" que faço, por isso foi um big deal.



Isto foi mais uma lição para adicionar ao meu "Grande livro de lições de vida que venho a coleccionar desde 1998, leitura obrigatória". Acho que toda a gente deve fazer o máximo que está ao seu alcance para realizar todos os seus sonhos, sejam grandes ou pequenos, ambiciosos ou simples de concretizar. Não deixem obstáculos, principalmente os psicológicos, impedir-vos de realizar aquilo que vos faz felizes. As pessoas dizem: nunca persigas ninguém, a pessoa que te está destinada não precisa de ser perseguida para ficar contigo. Com os sonhos é diferente: persegue os teus sonhos, luta por eles, faz com que eles se tornem realidade e aí sim, quando se concretizarem percebes que estavam destinados a acontecer-te.

© Uma colher de arroz
Maira Gall