domingo, 6 de agosto de 2017

QUE CURSO ESCOLHER? | #6 ESTUDAR NO ESTRANGEIRO

E chegamos à última edição (pelo menos este ano!!) da rubrica "QUE CURSO ESCOLHER?" (lágrima). O fim das candidaturas está-se a aproximar e como tal, já não faz grande sentido continuar com a rubrica tendo em conta o seu título.
Mas não fiquem tristes!! Para acabar em beleza, a edição de hoje será um pouco diferente: o que me dizem de saber um pouco mais à cerca da vida de um estudante que decidiu fazer o ensino superior no estrangeiro?

Nome: Bárbara Gonçalves
Cidade: Brighton
Ano: Ano zero

O que te motivou para ir estudar para fora?
Desde que me lembro, quando eu e a minha família conversávamos sobre potenciais universidades e cursos a considerar, a minha mãe sempre foi a maior adepta da possibilidade de estudar noutro país. No início estava um pouco apreensiva pois queria estudar em Portugal mas depois entendi que se tinha essa oportunidade, devia agarra-la, pois tinha imensas vantagens e sempre era uma experiência nova. As opções foram várias, entre Estados Unidos, Inglaterra, Escócia e Dinamarca a fazerem parte da lista. No entanto, para deixar todas as minhas opções abertas, acabei por me candidatar a universidades em Portugal, Inglaterra e Dinamarca (tendo sido mais tarde aceite em todas).


Como foi o processo de candidatura para a universidade na Inglaterra? Como me candidatei tanto a Portugal como a Inglaterra pude perceber que existem várias diferenças no processo de candidatura entre os dois países. No Reino Unido existe uma plataforma online que pode ser utilizada universalmente por toda a gente que queira estudar lá, chamada UCAS. Vou destacar algumas particularidades:
1. O prazo. Enquanto que em Portugal a candidatura é feita no Verão (+\- 2 meses antes das aulas começarem), em Inglaterra a candidatura tem que estar concluída em Janeiro (7/8 meses antes das aulas começarem).
2. A chegada da tão ansiada resposta. Em Portugal sabem-se as colocações em Setembro, sensivelmente uma semana antes das aulas começarem, enquanto que em Inglaterra as colocações saem no início de Julho, 2 a 3 meses antes das aulas começarem, permitindo aos futuros alunos mais tempo para se organizarem em relação a todos os aspetos logísticos.
3. Talvez o mais importante, as condições de aceitação na universidade. Enquanto que em Portugal tudo depende da média do secundário, em Inglaterra tudo conta: as notas desempenham um papel essencial claro, mas o voluntariado, atividades extra curriculares, pequenas experiências de trabalho e estágios são também factores decisivos na tua aceitação.
4. Carta de motivação e referências. Para além da informação pessoal e das notas, o estudante tem também que escrever uma carta de motivação de aproximadamente 3000 palavras a explicar o porquê de querer estudar aquele curso e quais são os seus pontos fortes e fracos. Adicionalmente, os professores têm que escrever pelo menos uma referencia sobre o aluno, sendo sempre justos e imparciais na sua opinião.

Chegado Setembro, qual foi a tua decisão final? Isto pode até parecer irónico, mas depois de ter entrado em universidades em três países diferentes, acabei por decidir não ir para a universidade naquele ano. Sempre fui apologista de gap years pois sei o quão confusos e imaturos podemos estar em relação ao nosso futuro após o secundário, mas sabia que isso não seria uma opção para a minha família. Apesar de ter sido aceite em Inglaterra, não tinha sido numa universidade tão conceituada assim pois os critérios de Portugal desvalorizam um pouco em Inglaterra. Depois de algumas pesquisas e de ter falado com uma amiga próxima, resolvi fazer um Foundation Year ou Ano Zero. Num ano zero, combina-se a matéria do secundário do sistema inglês com a matéria que provavelmente vais estudar no primeiro ano da universidade no teu curso. Resumidamente, entrei num colégio que prepara alunos internacionais para prosseguirem o ensino superior no Reino Unido, dando todas as bases e ajudando em todos os pormenores para que entrem na universidade que realmente seja a merecida para o trabalho de cada um. Escolhi a minha área do Foundation como Engenharia e tive todas as disciplinas mais específicas como Matemáticas, Mecânicas, Físicas, Eletricidade e as mais base, como Inglês Académico e Programação Básica de computadores. A avaliação em algumas disciplinas era feita através de um só exame final de cada trimestre e noutras através de trabalho contínuo ao longo do trimestre. Estás arrependida da tua decisão? Mudarias alguma coisa? Não estou nada arrependida de ter feito este ano zero, pois sei que se fosse para uma universidade inglesa sem ele (muito) provavelmente tinha deixado algumas cadeiras e o primeiro ano não teria sido nada fácil e motivante. Vou agora para a universidade com a consciência de que estou preparada para vários desafios no mundo da engenharia, que posso fazer perguntas sem me sentir desconfortável e muito mais certa do que realmente quero. Além disso, este ano foi indispensável para melhorar o meu inglês académico, adaptar-me ao sistema de ensino britânico e ao próprio país, fazer boas amizades e conhecer uma cidade incrível como Brighton. No entanto, mudaria algumas coisas claro. Em primeiro lugar, teria feito o Foundation já na universidade que eu queria, pois além de te habituares desde logo ao campus e à vida universitária, em termos financeiros teria poupado muito em propinas. Também deveria ter decidido as coisas com muita mais antecedência, para não ter que tratar de tudo tão em cima da hora com as aulas já a decorrer.


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