terça-feira, 18 de abril de 2017

SAIR À NOITE | Uma Colher de Arroz

Sair à noite. Durante muito tempo isto significava ir tomar café com os meus pais durante as noites de verão, ir às festas da cidade, dar um passeio pela marginal de Abufeira quando iamos de férias.
A verdade é que o conceito mudou muito ao longo dos anos: agora sair à noite equivale a ir tomar cafés tardios com os amigos, jantaradas de aniversários, saídas de curso, idas à discotecas, a bares e a tasquinhas. Ainda continuo a fazer tudo o que fazia em pequenina e adoro mas a verdade é que sair à noite, para mim, é um ritual de descontração e abstração. Estranho?

Talvez por estar longe dos meus amigos e a noite ser a única altura em que podia estar com eles aos fins de semana, a noite lembra me diversão, reunião e memórias prontas para serem construídas.
Adoro arranjar me para sair: a roupa, a maquilhagem um bocadinho mais elaborada, o cabelo (se bem que não faço absolutamente nada de diferente ao dia a dia), os sapatos.
Depois, o chegar e estar em boa companhia: de noite toda a gente está mais bem disposta, os problemas da faculdade são esquecidos e as conversas de frequências e exames são trocadas pela discussão dos planos para o próximo verão. O stress dá lugar às gargalhadas e as histórias embaraçosas que cada um tem para partilhar. A música está sempre presente e a vontade de dançar acompanha.
À noite tiram se muitas selfies para quando acordarmos de manhã nos rirmos com as figurinhas que estávamos a fazer, à noite a vergonha é posta de lado.
A noite tem uma magia só sua que o dia nunca pode igualar: tudo parece possível, tudo parece tão presente e instantâneo.
Acredito que à noite somos livres e eu adoro ser livre à noite.

© Uma colher de arroz
Maira Gall