quinta-feira, 8 de setembro de 2016

A AMIZADE É COMO OS BOLOS, SEM FERMENTO VAI A BAIXO


 Às vezes, quando estou com falta de inspiração para posts do blog, costumo ir pesquisar à net, na esperança que alguma ideia luminosa apareça. De vez em quando lá resulta mas as minhas melhores ideias vêm de problemas e aventuras que se passam na minha própria vida.
Seguindo este pensamento, e porque este tema tem estado bastante presente na minha vida neste momento, hoje venho-vos falar sobre a amizade. Não quero abordar o tema de maneira tradicional até porque isso já foi feito imensas vezes, quero antes expressar a minha opinião com base na minha experiência.

Primeiro achava que a amizade era das coisas mais simples do mundo. Duas pessoas que se davam bem e que tinham gostos em comum - amigos. Era isto que dizia o meu dicionário mental. Mas ao longo dos anos fui me apercebendo que existem vários tipos de amizades.
Há aquelas amizades em que parece estar sempre tudo bem e que tudo funciona sem complicações. Estas são as melhores. Podem estar separados durante semanas mas quando se encontram tudo volta ao mesmo. Sem zangas sem sentido, sem dramas pelo meio. São amizades que exigem respeito mútuo, mensagens de vez em quando para fazer os updates e programas onde só boa energia é permitida.
Depois temos aquelas amizades de "ocasião". Amigos que fazemos na escola ou em outras atividades e que só estamos com eles quando a situação é propicia. O que quero dizer com isto é que nós não ligamos  necessariamente a estas pessoas quando queremos ir tomar um café ou resolver um problema. São antes pessoas que estão sempre presentes num determinado ambiente e fora dele a distância mantém-se. Este tipo de amizades não são necessariamente más, muito pelo contrário. Fazer o que quer que seja com amigos torna-se muito mais divertido. 
Finalmente, temos os amigos que simplesmente já não querem saber. Vocês tem uma relação espetacular, super saudável mas, de repente, eles deixam de falar, de querer combinar coisas e por alguma razão misteriosa, estão sempre ocupados para nós. A razão deste afastamento é quase sempre a mesma:ou eles ficaram chateados com alguma coisa que vocês fizeram e, em vez que falarem sobre isso, decidiram afastar-se, ou então acham-se bons de mais para se darem convosco. Qualquer uma destas justificações são deploráveis o que me leva ao meu próximo argumento.
Já tentei de tudo, mas não percebo as pessoas que ficam chateadas com alguma coisa e que, em vez de tentarem resolver os problemas, fecham-se para si e respondem "está tudo bem" de cada vez que lhes perguntamos.  O problema é que não está tudo bem e nunca vai ficar a não ser que as pessoas falem dos assuntos. Já somos todos bastante crescidos para conseguirmos resolver as nossas zangas como pessoas maturas, porque não há coisa mais triste do que perder um amigo por causa de uma discussão infantil e supérflua. Caso eles se tenham afastado por se acharem "superiores" a vocês, aí fizeram vos um favor, porque ninguém precisa de pessoas assim na sua vida.

Para concluir, gosto de pensar que as amizades são como os bolos. A única maneira de crescerem é não esquecer de adicionar fermento, que é como quem diz, não esquecer que aquelas pessoas existem. Podemos ser as pessoas mais ocupadas do mundo mas temos a obrigação de arranjar tempo para cafés, para mensagens a perguntar "então, como estão a correr as coisas?". Podemos deixar os bolos no forno a cozer e até podemos ir dar um voltinha enquanto o temporizador não acaba, mas, se os deixarmos tempo a mais à espera, eles ficam queimados e depois não há volta a dar, e acho que isso já diz muita coisa. 
© Uma colher de arroz
Maira Gall