sábado, 15 de julho de 2017

QUE CURSO ESCOLHER? | #2 DIREITO

Bem vindos à segunda edição da rubrica "QUE CURSO ESCOLHER". Para quem ainda não está familiarizado com o assunto, explico tudo neste post.
Hoje, e pela primeira vez no meu blog, passo a emissão a outra pessoa, neste caso uma amiga minha que está a estudar direito.
Espero que gostem! Qualquer dúvida deixem nos comentários que eu as farei chegar até ela.


Nome: Ana Calejo
Curso: Direito
Faculdade: Faculdade de Direito da Universidade Católica do Porto
Ano: 1º ano (terminado)


-  O que é que te levou a escolher este curso?
Durante o secundário, (como aluna de Línguas e Humanidades) as opções que me surgiram na cabeça como possíveis cursos aos quais me iria candidatar eram Direito ou Línguas e Relações Internacionais (que existe apenas na FLUP) porque sempre tive um “bichinho” que gosta de aprender como a sociedade e o Governo funcionam e desde que me lembro que adoro aprender línguas estrangeiras, viajar e conhecer novos lugares. Contudo, antes de decidir que curso iria escolher, fui preocupando-me, ao longo dos 3 anos, em ter uma boa média para que, no final do 12º ano, pudesse escolher um curso à vontade sem restrições. Relativamente ao curso, fui falando com pessoas amigas, mais velhas, e com certa experiência e aconselharam-me Direito: salientando a ideia de que as saídas deste curso não eram só advocacia e magistratura, mas também saídas profissionais ligadas ao mercado de trabalho internacional como diplomacia. Concluí que, se seguisse o curso de Direito conseguiria estudar leis, o ordenamento jurídico, mas se quisesse, também conseguiria a parte de “relações internacionais”.


- Quais foram as principais dificuldades que enfrentaste até agora, a nível académico?
A exigência e o rigor da faculdade, sem dúvida. O rigor da faculdade é demasiado diferente do rigor do secundário, e ainda bem que assim é: por alguma razão se chama “ensino superior”: estamos numa etapa superior à do secundário, não podemos esperar que o nível de exigência seja igual. Parte-se do pressuposto que estaremos a licenciar-nos numa área que vai ser o nosso futuro, o nosso emprego, e temos de ser bons profissionais. Senti que, ao longo deste primeiro ano, o rigor vai crescendo à medida que o nosso tempo de faculdade passa. Só em dois semestres consegui notar que, por exemplo, o segundo semestre foi muito mais exigente e mais trabalhoso do que o primeiro, e que o terceiro irá ser ainda mais do que foi o segundo, e assim sucessivamente. É exaustivo e nota-se uma grande mudança, mas faz parte do objetivo de nos tornarem melhores profissionais, no futuro.
Sabatinas: As terríveis sabatinas. Na minha faculdade, quem fizer parte da avaliação contínua (que é opcional) sujeita-se a sabatinas e a testes ao longo do semestre mais o exame no final do semestre, (depende das cadeiras, mas a maior parte tem sabatinas). São interrogatórios orais nas aulas que o professor faz individualmente sobre a matéria lecionada nessa cadeira. É um momento (muito) stressante, pelo menos para mim porque prefiro testes escritos para ter o meu tempo para raciocinar e tentar responder (bem), o que não acontece muito nas sabatinas, porque sente-se uma certa pressão de se responder rápido, pois se não dermos logo a resposta damos a entender que não sabemos a matéria, o que nem sempre é assim. Existe este regime de sabatinas com o objetivo de nos prepararem, mais uma vez, para o futuro, quando tivermos de defender alguém em tribunal, por exemplo.


- O que achas dos métodos de avaliação/rácio teoria-prática do curso?
A minha faculdade deixa-nos optar por um dos seguintes métodos de avaliação:
1.      Exame final à cadeira (e ficamos com a nota do exame)
2.      Avaliação contínua (testes + sabatinas+ trabalhos) + exame final. Nesta hipótese a nota da avaliação contínua só conta se for superior à nota do exame, porque se for inferior conta a do exame.
Ora, como viram o exame final é obrigatório, quer se esteja em avaliação contínua ou não. Eu, até agora, optei sempre por avaliação contínua + exame pois saberia que não iria acumular matéria e quando chegasse a altura dos exames sentir-me-ia mais preparada. É mais desgastante porque andamos atarefados o semestre todo, quase sem conseguir respirar, mas na época de exames percebo que é uma ótima escolha e que vale a pena o esforço, sem dúvida.


- Na tua opinião, qual o perfil que alguém deve ter para ser bem-sucedido neste curso?
Na minha opinião, para se ser estudante de Direito, deve ser-se rigoroso com o que se diz e com o que se escreve. Pensar sempre no que se vai dizer, e pensar se não haverá um argumento ou opinião melhor que possa refutar o nosso. Estar sempre disposto a ouvir críticas dos professores para poder melhorar o nosso aproveitamento e desempenho. Aconselho, também, a presença no máximo número de aulas possível, visto que são teórico-práticas (na minha faculdade) e que os professores tentam resolver casos práticos na aula, depois de terem explicado a teoria, o que é bom, pois os testes e exames são 90% de casos práticos para (adivinhem) nos prepararem para o futuro; e também a avaliação contínua para manterem o estudo em dia.


- Estás arrependida de teres escolhido este curso?
Não! Não mesmo! Cada dia que passa estou cada vez mais certa do curso e instituição que escolhi. Fui para a Católica por opção, e por me terem aconselhado visto que os docentes estão sempre dispostos a ajudar-nos, e a UCP dispõe de programas ao longo da licenciatura que, no final do curso, se tornam prescindíveis no momento da candidatura no mercado laboral. O curso tem muita teoria, como é óbvio, mas tem a sua parte prática, o que é bom, porque conseguimos aplicar a teoria e interligar matéria com o quotidiano e pensar numa solução para casos com os quais nos podemos deparar no dia-a-dia, o que me fascina imenso.



O que acharam deste post? Alguém interessado em direito?
© Uma colher de arroz
Maira Gall