terça-feira, 22 de novembro de 2016

Dura Praxis, Sed Praxis | A minha experiência

 Quando vos perguntei que post gostavam de ver a seguir muitas de vocês disseram que gostavam de saber como estava a ser a minha experiência na universidade. Este é um tema que dá pano para mangas e vou certamente fazer inúmeros posts relacionados com isso.
Para hoje decidi falar sobre a praxe por ser um tema tão "quente" e por ser algo que sempre me despertou imensa curiosidade enquanto "expectadora".

Fui para a universidade com a certeza de que ia experimentar a praxe. Não sou de dizer que não gosto com base na opinião de outra pessoa. Tenho de experimentar por mim.  
O primeiro dia foi assoberbante. Estava completamente sozinha e os doutores eram muito duros com todas as regras e atividades que faziam connosco. Eu sou uma pessoa que não gosta de dar nas vistas, primeiro observo o ambiente e só depois faço as minhas intervenções. Lá, as intervenções eram tiradas à pressão. Chamavam pessoas à frente de toda a gente e "expunham-nas", bombardeando-as com questões e pedidos. Eu sei que a intenção era quebrar o gelo que havia entre nós, caloiros, para que nos começassemos a dar melhor, mas sendo eu envergonhada como sou, aquilo estava a mexer com o meu sistema nervoso.
Felizmente, não fui chamada muitas vezes à frente o que contribuiu para controlar a minha ansiedade. 

Logo de início foi notório a formação de dois grupos: haviam pessoas que detestavam completamente aquilo e outras que viam a praxe como uma escapatória e um local para se fazerem notar. Eu estava no meio, sabia que não adorava ir para a praxe todos os dias mas também sabia que à medida que o tempo ia passando, eu iria começar a gostar cada vez mais. E foi isso que aconteceu.
O grupo de pessoas foi ficando cada vez mais pequeno mas o gosto de cada um por aquela atividade ia crescendo.  A praxe ensina-nos a chegar "à hora marcada, ao local marcado 5 minutos antes", ensina-nos que a lealdade, o respeito e o compromisso são valores superiores e mais importante, tenta unir os caloiros numa fase tão difícil como é a entrada no ensino superior. E é por isso que gosto de estar na praxe: é um momento em que estou feliz e onde me esqueço das saudades de casa e das responsabilidades da faculdade. 
Também acho giro a relação que começamos a criar com os nossos doutores. Na minha faculdade a relação doutor/caloiro é muito restrita: sempre com muito respeito e só nos "conhecemos" dentro da praxe. Mesmo assim, à medida que o tempo passa começamos a ganhar um carinho especial por alguns deles porque conseguimos ver, pela maneira como falam e agem, que eles vivem mesmo para aquilo e dão tudo de si quando nos estão a praxar.

A praxe fez me ter orgulho no meu curso, fez me cantar e perder a voz a gritar pela minha faculdade. Também me deixa cansada e suja, frustrada e duvidosa, mas acabo sempre com um sorriso na cara. Só tenho uma coisa a dizer: ainda bem que experimentei a praxe.
© Uma colher de arroz
Maira Gall